Templates e modismos

O mercado de Web é bastande amplo. É muito difícil para o cliente em Salvador escolher em que empresa confiar o seu site, diante de tantos preços díspares, tantas tecnologias e empresas com diferentes definições.

É fato que a profissão de design gráfico, em Salvador especificamente, encontra sérias dificuldades de se estabelecer da forma como somos formados para tal. Não temos uma representatividade regional forte, não temos mídia e enfim, dificilmente esperar que outros profisionais da área de administração reconheçam a necessidade de um profissional específico para aquela atividade se não há cultura disso. E esta cultura só mudará quando o designer em Salvador mostrar em cada projeto seu, cada conquista de mercado, seu diferencial de trabalho e, assim, um reconhecimento futuro.

Com isso, as necessidades e demandas de marca, SIV (SIV? O que é isso?), embalagem, projeto gráfico para web, sistema etc, são disputadas entre “o garoto que mexe com o flash”, “a gráfica que também faz criação”, “o sobrinho do dono da empresa” e, claro, o tal do “designer”, “dizainer”, “desingner” ou “desing” (designações que mostram a confusão na hora de sermos lembrados) que por acaso, estudou 4 anos em uma universidade, enfrentou o preconceito de não estar cursando direito ou medicina e o constrangimento de explicar à família que ele não faz somente folder, folheto e coisa e tal. Ele é designer.

Meus pais, por exemplo, levaram no mínimo 3 a 4 anos para entender o que eu faço. Para pessoas com um pouco mais de idade que eles, apenas digo que sou desenhista. Eles começaram a entender quando comprei uma pasta grande de couro onde levava meu portfólio profissional em pranchas A3 e saía com ela debaixo do braço. Meu pai, engenheiro civil, finalmente tranquilizou-se pois agora me associava aos desenhistas projetistas do antigo escritório dele. Ahh!

Mas toda essa história é apenas um introdutório para os templates. Com um simples, barato e rápido curso de web design, ou apenas web mastar ou web alguma coisa, é possível adquirir habilidades mínimas para se construir um site. Hoje está cada vez mais fértil esta área para quem se aventura. Pois, com algumas horas de “Google” podemos identificar templates de site para todos os gostos.

O perigo é que estes templates estão cada vez mais e mais sofisticados e agradando aos modismos das tecnologias disponíveis para sites: banners rotativos, administração de conteúdo e animações.

Com um olhar profissional sobre a ferramenta, o uso do template não é algo negativo. É até necessário. Não se pode negligenciar a tendência e a necessidade de baratear certos custos que o template proporciona. A explicação é que pode-se normalmente usar um template para baixar um custo de um site. Sou contra templates de sites inteiros, isso é inaceitável. Porém seria normal, comprar um template de mecanismo de banner rotativo, ao invés de pagar horas a um programador para desenvolver do zero. Porém, como não é bem assim que a banda toca, “o sobrinho do dono da empresa” simplesmente pega o template e pã! Lá está o seu “site”, idêntico ao template, sem, no mínimo, um re-layout de página.

O que não fica difícil de explicar muitas vezes é que um site não é só mecanismo. Site é comunicação. E comunicação, em primeiro lugar, parte de um projeto sério de análise de concorrência, levantamento de diferenciais e argumentos de vendas do cliente, até passar para as necessidade da marca, estruturação da informação, de maneira mais fácil e intuitiva, prevendo a retronavegação, legibilidade, leiturabilidade, praticidade e um resultado gráfico que transmita o conceito do que queremos passar da empresa.

O resultado é que estes templates estão uniformizando a tendência dos layouts e de como eles serão aceitos pelos clientes, que, assim, sempre irão buscar algo muito próximos do que estão acostumados a ver. Logo, esses templates ditam as tendências de aceitação. Assim como o teclado em QWERTY (padrão ABNT), o NTSC do video cassete e o Windows da Microsoft, o que predomina ao gosto do mercado não é o melhor produto, mas o que tem a melhor distribuição.